Apesar da volatilidade elevada, tanto o ouro quanto a prata começaram o ano novo em terreno sólido, caminhando para encerrar a semana em pontos de resistência cruciais.
O ímpeto de alta impulsionou os preços do ouro para US$ 4.500 a onça, um aumento de quase 4% desde a última sexta-feira , enquanto a prata atinge US$ 80 a onça e caminha para encerrar a semana com um ganho de quase 10%.
A resiliência da prata tem sido particularmente impressionante, visto que os riscos de queda a curto prazo começaram a se acumular no mercado. O metal cinza se recuperou da forte queda da semana passada, depois que o CME Group aumentou as exigências de margem para conter o ímpeto especulativo.
Entretanto, tanto o ouro quanto a prata serão extremamente sensíveis ao rebalanceamento anual dos índices. Índices como o Bloomberg Commodity Index (BCOM) e o S&P GSCI Index contêm uma cesta de commodities como petróleo, cobre, trigo e, claro, ouro e prata. A ponderação de um ativo na cesta pode depender de vários fatores, como liquidez ou volume da produção global. O ouro representa cerca de 14% do BCOM e de 3% a 4% do S&P GSCI. A prata representa cerca de 9% do BCOM e 1,5% do GSCI.
No ano passado, os preços do ouro subiram mais de 60% e os da prata quase 150%, o que aumentou sua ponderação — e agora as posições precisam ser reequilibradas. Segundo algumas estimativas, os índices de commodities precisam vender cerca de US$ 5 bilhões em ouro e prata para reequilibrar a ponderação.
No entanto, a boa notícia é que esse rebalanceamento será concluído na próxima semana e, apesar dos riscos de queda, muitos analistas afirmam que os fundamentos mais amplos que sustentam os metais permanecem firmes. Para muitos analistas, a estratégia utilizada no ano passado continua relevante, o que significa que as quedas serão aproveitadas para compras rápidas.
O rebalanceamento de índices pode não ser notícia de primeira página, mas tem o hábito de lembrar aos mercados quem realmente está no comando.
Especificamente para a prata, é difícil prever qualquer queda significativa, visto que o consumo industrial e a demanda dos investidores continuam competindo por uma oferta cada vez menor. Nenhuma mina de prata poderá ser construída nos próximos meses para aliviar a atual crise de oferta — por mais que o mercado deseje o contrário.
A liquidez do mercado melhorará se o estoque de prata nos EUA começar a fluir para outros mercados, como Londres; no entanto, isso não resolve o problema fundamental: simplesmente não há prata suficiente para atender à demanda persistente.
Nesse cenário, crescem as expectativas de que os preços da prata possam facilmente atingir e ultrapassar os 100 dólares por onça.
Entretanto, o ouro continua sendo o porto seguro geopolítico por excelência, especialmente porque o governo dos EUA busca implementar uma nova política internacional baseada na lei do mais forte. Analistas preveem que essa nova diplomacia das canhoneiras e a instrumentalização da economia continuarão a forçar as nações a diversificar suas reservas, reduzindo a dependência do dólar americano.
Muitos analistas esperam que seja apenas uma questão de tempo até que os preços do ouro atinjam US$ 5.000 por onça este ano.
O último fator que contribui para a perspectiva otimista do ouro e da prata reside no banco central dos EUA. Os mercados não esperam que o Federal Reserve reduza as taxas de juros ainda este mês; contudo, com o mercado de trabalho em constante desaceleração, analistas afirmam que é apenas uma questão de tempo até que as taxas de juros caiam. A única dúvida que permanece é a magnitude dessa queda.
Olhando para o ano novo, a única coisa que prevejo é que ele não será nada entediante.
Bem-vindos a 2026 – apertem os cintos. A julgar por esta primeira semana, o sinal de cinto de segurança vai continuar aceso. (fonte: KitCo News, vol. 12, ed. 1, 09/01/2026)

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