França é apontada como próxima vítima da crise econômica

Presidente francês corre o risco de cair, e país deve ter títulos de dívidas soberanas rebaixados por agências de risco.

Sarkozy: próxima vítima da crise? Desde 2007, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, trabalhou para construir uma nova imagem do poder: a de um “hiperpresidente”. Durante quatro anos, o chefe de Estado ofuscou seu primeiro-ministro, François Fillon. Agora, corre o risco de pagar o preço da exposição. Apontada nos mercados financeiros como a provável próxima vítima da crise, depois da Itália, a França tem eleições em abril de 2012, e todas as atenções se voltam para as chances do atual mandatário francês ser a nona cabeça cortada na Europa.

Depois de contagiar a Itália, ameaçando a sobrevivência da zona do euro e a estabilidade da economia mundial, a crise das dívidas soberanas está às portas de Paris. Na sexta-feira, o jornal Le Monde questionava em título: “Depois da Grécia e da Itália, a França?”.

O temor se reforçou com o suposto “erro” da agência de rating Standard & Poor’s, que na quinta-feira publicou em seu site uma nota – depois desmentida – associando o país à palavra downgrade (rebaixamento).

O incidente confirmou aos mercados financeiros e ao meio político do país o que os investidores já preveem na Europa e nos Estados Unidos: após Washington, Paris deve ser a próxima a ver seus títulos de dívidas soberanas perderem o status de AAA.

Para Jacques Attali, economista e ex-conselheiro do presidente socialista François Mitterrand, os sinais são evidentes: “Não nos iludamos. A dívida francesa já não é mais AAA”. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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ITÁLIA: A Próxima Vítima

A batalha para salvar a Europa da crise atual se parece com um imenso barco com muitos buracos no casco e poucas mãos para tapa-los. Ao conseguir estancar, temporariamente, a sangria pela Grécia, agora são os rombos da Itália que crescem e são ainda mais ameaçadores.

Mesmo com a aprovação do Orçamento de 2012 pelo parlamento, o primeiro-ministro da Itália perdeu a maioria e sua saída do governo já está decidida. “O Silvio Berlusconi é hoje o maior empecilho para a Itália. Ele é turrão, personalista, e não conta mais com apoio algum do parlamento. Com a saída dele do cargo, o que pode acontecer em questão de horas ou poucos dias, os mercados poderão dar algum alívio para Itália num espaço curto de tempo”, avalia um analista de banco estrangeiro no Brasil.
Em análise enviada a clientes internacionais, o banco Goldman Sachs se mostra bastante preocupado com a andar da carruagem na zona do euro. Os analistas do banco, que assinam o documento, vêem no Banco Central Europeu um papel ainda central na resolução da crise. Mas não é isso que vem acontecendo, adiando e agravando o quadro atual.
“Temos defendido que o BCE continuará atuando com o programa de compras dos títulos (dos países em maior dificuldade) para evitar uma apreensão dos mercados soberanos e uma situação desordenada nos mercados europeus em geral. Ao mesmo tempo, temos sido céticos de que Mario Draghi faça uma mudança da abordagem ‘passiva’, adotada pelo sistema europeu até agora na condução dessas compras. Apesar dos apelos de muitos observadores para o BCE adotar um esquema maior, mais ambicioso e pro-ativo para compra dos títulos, duvidamos que ele vá seguir essa estratégia tão cedo”, diz o relatório.

Em suas última declarações, o presidente do BCE, Mario Dragui, repetiu o que seu antecessor, Jean-Claude Trichet, não cansou de falar até deixar a instituição. “A atuação do BCE como emprestador de último recurso para os governos realmente não está dentro do mandato do BCE”, disse Dragui. Certa ou errada, é fato que a atuação do BCE não tem sido capaz de segurar a disparada do risco dos títulos públicos italianos. A alta histórica do custo de carregamento dos papéis já reflete uma situação muito próxima de incapacidade de pagamento e insustentabilidade das contas públicas do país.

O primeiro-ministro Berlusconi enfrenta agora a mesma situação vivida por Giorgos Papandreu na Grécia. Mesmo assim, o esforço de estancar os buracos por onde escapa rapidamente a credibilidade da Itália será hercúleo e com consequências mais graves para a economia internacional, mas deve ser o único caminho.
“Se o governo italiano puder restabelecer a sua credibilidade e, assim, ter novamente acesso ao mercado com spreads (taxa de risco) mais baixos, um ciclo virtuoso de aumento da confiança, crescimento e sustentabilidade podem surgir tanto na Itália quanto, indiretamente, na da área do euro como um todo. Restabelecer a credibilidade e confiança, no entanto, é mais fácil dizer do que fazer”, avaliam os analistas do Goldman Sachs.

E “fazer” o que é preciso na Itália parece ainda mais complicado. As reformas dos gastos públicos exigidas do país encontram forte resistência política e o clima fica pior com a falta de liderança e coalizão em torno do governo de Berlusconi. “A seguir à possível saída de Berlusconi teremos a dúvida sobre a formação do novo governo. O mais provável é que os políticos de centro-esquerda assumam o poder. Mas eles também vem se colocando contra as medidas de mais austeridade fiscal exigidas pela comunidade européia para que a Itália seja salva do pior”, avalia o analista ouvido pelo G1.

“A medidas apresentadas até agora estão em linha com as anunciadas em anteriores planos de médio prazo da reforma (fiscal). A forte resistência de grupos de interesse, no passado, obstruiu a implementação das reformas. As tensões políticas e a fragilidade da coalizão governista só aumentam a dificuldade de formular e concordar com as mudanças necessárias para o contrato social. Neste contexto, aumentam os riscos para a revisão trimestral do FMI, já aceita pela Itália, e que será iniciada em 15 de novembro. Mas também poderá dar um sinal crível para o mercado e facilitar a transferência de recursos financeiros para o país sem uma estreita condicionalidade (exigida pelo FMI)”, conclui o relatório do banco de investimentos.

 
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Economistas anônimos revelam novo risco de quebra generalizada na banca norte-americana

     O fantasma que apavora os investidores desde a eclosão da pior crise já vista ha história do capitalismo, em 2008, acaba de ganhar um novo contorno no artigo de um dos economistas que escrevem para a página Zero Hedge. O autor revela que o JP Morgan Chase e três outros grandes bancos norte-americanos detêm mais de 90% dos papéis podres, títulos dos chamados subprimes, origem da crise de confiança que abala os mercados dos países capitalistas, em uma esteira de falências e ameaças de defaultsem dívidas de países na periferia da Europa.

Artigo, na íntegra:

Banca norte-americana: a bomba relógio do mercado de derivados.
Sabemos que o sistema bancário inventou (literalmente) o papel. Qual papel? Lixo, nada mais do que isso. São assets tóxicos, derivados sem valor, instrumentos financeiros atrás dos quais existe apenas o vazio. Não são uma riqueza, pelo contrário: são perigosos, são os alicerces acima dos quais foi construída a crise começada em 2008 e ainda não acabada.
O problema são as dívidas públicas dos Estados? Sim, com certeza. Os Estados Unidos têm uma dívida pública de US$ 14,5 trilhões. O Produto Interno Bruto do planeta é de US$ 62 trilhões. E o JPMorgan Chase, banco privado, sozinho, tem US$ 78 trilhões em produtos derivativos.
O último relatório trimestral do Office of the Currency Controller acabou de sair e, de forma clara, apresenta a situação: os quatro maiores bancos dos Estados Unidos estão mergulhados (mas seria melhor dizer “afogados”) num oceano de papel que eles chamam “produtos financeiros derivativos” ou assets, mas que na realidade são papel sem qualquer valor. Dos US$ 250 trilhões em valor nominal bruto em contratos derivativos (incluídos Interest Rate, FX, Contratti Equity, Commodity e CDS), dos 25 maiores bancos comerciais, quatro bancos detêm 94.4%.
JPMorgan Chase: US$ 78 trilhões
CitiBank: US$ 56 trilhões
Bank of America: US$ 53 trilhões
Goldman Sachs: US$ 48 trilhões.
Mas o risco aumenta cada vez mais pois, para poder obter lucros, estes bancos são obrigados a arriscar cada vez mais. Moral da história: a exposição cresceu US$ 5.3 trilhões ao longo do primeiro trimestre deste ano. E em caso de falência? Ninguém “cobre” estes derivativos? Afinal houve bancos que emitiram estes contratos e alguém terá de responsabilizar-se. Na teoria.
Na prática o caso Lehman (o banco falido em 2008) ensina-nos que por cada dólar de contrato será muito se recuperar US$ 0,20. No caso Lehman houve um banco em dificuldades e nem era o maior: podemos imaginar o resultado caso haja mais do que um banco em dificuldade. Ou um dos Big Four.

Fonte: 6/11/2011 17:50,  Redação, com Zero Hedge – de Nova York, EUA